No ringue com Esquiva Falcão

Por Rodolfo Rodrigues

 

Divulgação Top Rank

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Força, foco e fé, esta poderia ser mais uma legenda de uma foto tirada em frente ao espelho, em alguma academia do Brasil, com a qual deparamos diariamente das redes sociais, mas certamente estas três palavras podem tentar resumir um pouco a carreira de Esquiva Falcão, o maior nome do boxe brasileiro na atualidade. O PALPITANDO O COTIDIANO teve a honra de bater um papo exclusivo com o capixaba de 25 anos, medalhista olímpico. Esquiva, que está invicto como profissional (sete lutas, sete vitórias, cinco por nocaute, na categoria médio-ligeiro), falou sobre a família, o início e o futuro da carreira. O boxeador ainda revelou que fará uma luta este ano no Brasil.

PALPITANDO – Você emocionou o Brasil (e o mundo) com sua bela história de vida. Seu irmão Yamaguchi também é medalhista olímpico e seu pai Toro Moreno também foi lutador. Como foi o começo do boxe em casa? Os primeiros treinos? Qual a importância da sua família nessa trajetória?

ESQUIVA – Foi um início bem difícil, porém, todos entusiasmados. Pois parecia que sabíamos que lá na frente iríamos sair daquela dificuldade, só dependia da gente. Meu pai sempre me incentivou, sempre me ajudou a aprender os golpes e a treinar, mesmo com quase nada de recurso, tanto que nosso saco de pancada era uma bananeira. Mas aos poucos todo esforço foi recompensado podendo fazer parte da Escola de Boxe do Raff Giglio, no Vidigal – RJ, depois fiz parte da Seleção Brasileira de Boxe no qual conquistei a medalha de prata nas Olimpíadas de Londres, entre outros desafios que passei bem no início de tudo. Mas decidir se mudaria para o boxe profissional foi minha maior dúvida, pois tinha a vontade de estar presente nas Olimpíadas no Brasil, mas acabei mudando e fiz a escolha certa. Minha família é minha base. Treino, luto e cada vitória é por eles e pra eles.

PALPITANDO – Claro que a medalha de prata é espetacular, mas muita gente que viu a luta pelo ouro, nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, acredita que a vitória era sua contra o japonês. Você também teve essa sensação? Achou injusta a punição que sofreu?

ESQUIVA – Achei injusta sim. Pois sabia que o árbitro tinha errado. Mas teve demora pra recorrer e isso dificultou pra CBBoxe. Mas eu estava feliz com a minha conquista com a medalha de prata, mesmo sabendo que o Brasil falava que o ouro era meu.

PALPITANDO – Conte um pouco sobre a emoção de ser o porta bandeiras do Brasil na cerimônia de encerramento da Olimpíada de Londres.

ESQUIVA – Eu não acreditei quando me chamaram. Foi uma emoção surreal. Um momento único. Frio na barriga mais do que ao subir no ringue. Pensei que porque tinha sido chamado, eu estava sendo reconhecido e estava deixando a minha história. Depois de tempos sem conseguir uma medalha para o boxe nas Olimpíadas, eu fui lá e conquistei a minha.

PALPITANDO – Quando acabou sua trajetória no boxe amador você recebeu proposta ou sondagem para entrar no MMA? Se sim, como foi?

ESQUIVA – No MMA, não diretamente. Apenas perguntas se eu teria vontade de, mas não era meu objetivo naquele momento da carreira. Mas tive propostas de outras empresas para migrar pro profissional.

PALPITANDO – Qual foi o principal motivo para desistir do boxe olímpico e partir para o profissional? Como surgiu a oportunidade?

ESQUIVA – O principal motivo foi a falta de motivação, falta de acreditarem no esporte brasileiro. Era promessa em cima de promessa. Quando comecei a pensar que já havia feito a minha parte em Londres, pensei que era hora de pensar mais no meu futuro. No meu crescimento. Recebi outras propostas, mas a Top Rank foi a que mais me deixou satisfeito pra fazer a minha escolha, fiquei sem dúvida para escolher. Até porque migrar para o profissional é uma decisão sem volta para o amador, por isso fiz minha decisão consciente e muito satisfeito. E como estou até hoje.

PALPITANDO – Como anda o patrocínio no boxe brasileiro? Melhorou depois dos bons resultados nos Jogos Olímpicos?

ESQUIVA – Na verdade não sei como anda. Acredito que não tenha mudado muita coisa, pois mais um nome pra olimpíada, dentro do boxe, acabou de migrar também para o profissional. Com um ano apenas no boxe profissional tive a oportunidade de parceria com três empresas (Netshoes, SoulFighter, Paris Filmes) e são elas que estão comigo até hoje e acreditando em mim. Só tenho a agradecer essa parceria, pois faz com que o atleta se sinta mais valorizado.

PALPITANDO – Quem é seu maior ídolo no boxe? Em quem você se espelha?

ESQUIVA – Primeiro, claro, meu pai. Meu grande ídolo. Mas em quem me espelho e acho que faz belas lutas quando está no ringue, é o Pacquiao. Grande nome no boxe!

PALPITANDO – Seu treinador é argentino, e você passa por um período de treinamentos nos EUA. Conte um pouco sobre seu dia a dia nos treinos, alimentação, e processo para perder peso para as lutas.

ESQUIVA – Isso. Meu treinador é o Miguel Dias, desde o início estou com ele e é um excelente profissional. Meu treino tem sido cada dia mais intenso. Faço muito sparring com atleta de alto nível, corrida, atividade física, e por aí vai… É muito preparo para cada luta que se aproxima. Minha alimentação é regrada até o dia da pesagem, depois da pesagem quando vejo que estou no peso ideal para lutar na minha categoria, me alimento bem pra pegar força.

PALPITANDO – No último dia 27 de fevereiro, você venceu mais uma vez no boxe profissional. Derrotou o americano Mike Tufariello por nocaute técnico no segundo round e permaneceu invicto: sete lutas e todas vitoriosas, sendo cinco por nocaute. A princípio você deverá fazer mais quantas lutas este ano? Tem previsão de luta no Brasil?

ESQUIVA – Devo fazer seis lutas no total este ano, e a previsão de lutar no Brasil é pra última luta do ano. Só estamos vendo ainda se será no Espírito Santo ou no Rio de Janeiro. Mas devo fechar o meu ano de lutas no Brasil.

PALPITANDO – Pra finalizar, se tudo correr dentro do esperado, em quanto tempo você acha que terá condições de disputar o título mundial?

ESQUIVA – A minha equipe acredita que em 2016 eu já possa disputar o cinturão.  Mas ainda tenho muita luta pela frente e quero dar um passo de cada vez.

 

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Sobre palpitandoocotidiano

Sou jornalista, com pós em empreendedorismo e marketing.
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