Mochilar é preciso!

*Por Stefano Marchesini

 

Machu Picchu

Machu Picchu

Cruzar a América do Sul de leste a oeste, essa foi a ideia que eu e mais três amigos tivemos há um ano e meio. Um pouco de logística, 23 dias de férias, um pouco de dinheiro e muita disposição. Esses foram os elementos necessários para realizar o sonho que foi “mochilar”. Andamos (bastante), subimos montanhas, dormimos em albergues (mais conhecidos como hostels), apreciamos lindas paisagens, ruínas, culturas, comidas e encerramos com a bela visão do sol se pondo no oceano Pacífico. No total dos 23 dias, foram três países – Bolívia, Peru e Chile – 12 cidades e UMA certeza: valeu a pena!

A logística foi construída de forma bem simplista e o nosso roteiro nos dava bastante liberdade para escolher quais lugares ir. Nossa ideia inicial de pegar o famoso “trem da morte” em Corumbá e descer já na Bolívia, em Santa Cruz de La Sierra, foi por água abaixo por causa do preço inflacionado das passagens aéreas (era período de Copa do Mundo). Optamos por pegar um voo direto de São Paulo para a cidade de Santa Cruz. Tal passagem aérea e os ingressos/trens para as ruínas de Macchu Picchu foram às únicas coisas que precisamos comprar com antecedência (cerca de quatro meses antes da viagem). Fora isso, tudo foi decidido em comum acordo e buscando as melhores opções.

No total, a viagem custou cerca de R$3.200,00, incluindo tudo, até os presentinhos para os parentes. Um preço acessível, uma vez que a viagem foi programada com a antecedência de um ano e meio.

A primeira parada foi a Bolívia. Um país de cultura fascinante, exótica, que respeita absurdamente suas tradições. É também um país bastante atrasado economicamente, onde nossa moeda (Real) é extremamente valorizada em relação à deles (Bolivianos). Acredite, da pra se sentir “um pouco rico” na Bolívia! Santa Cruz de La Sierra é linda, plana, uma cidade um pouco mais desenvolvida e com diversas opções “urbanas” de lazer. De lá, pode-se ir para Samaipata, uma das cidades que Che Guevara passou pouco antes de sua morte e onde se encontra “El Fuerte” – um passeio muito bacana por ruínas incas, quase uma “mini-Macchu Picchu”.

Ao contrário de Santa Cruz, a capital La Paz é terrível para os brasileiros. A altitude que gera o frio e o ar rarefeito incomoda bastante, assim como o ritmo acelerado de uma metrópole, com direito a trânsito caótico e tudo mais. Mas La Paz esconde, ou melhor, não esconde diversas belezas naturais. E uma delas é o Chacaltaya, um dos “topos do mundo”. Uma montanha de neve com o pico extremamente acessível a qualquer um, mesmo praqueles sem qualquer condição ou preparo físico (tipo eu!) que gostam de se aventurar. Há também o Valle de La Luna, outro passeio muito bem recomendado por esse que vos escreve. Essas duas são as principais cidades da Bolívia, mas outras cidades como Copacabana – uma cidade extremamente turística, à beira do lago Titicaca, onde se pode ir até a Isla del Sol – e Cochabamba, são boas opções para quem quiser realmente conhecer o país do chá de coca.

O Peru é um país mais desenvolvido, com uma política econômica forte (a moeda deles, Soles, vale praticamente o mesmo que o Real) e de valores muito parecidos com o nosso. Águas Calientes, cidade onde ficam as ruínas de Machu Picchu, é bem desenvolvida e só se vê grandes grupos de turistas. Não é muito aconselhável para um mochileiro ficar por muitos dias, por conta dos preços caros para a subsistência. Ficamos o tempo necessário para conhecer a “cidade perdida dos Incas” e logo partimos para a capital Cusco. Cusco que lembra bastante a cidade história de Ouro Preto, aqui em Minas Gerais, mas com bem menos subidas e descidas. Cidade que oferece muito que fazer, tanto de dia (feiras, mercados, praças, city tour), quanto de noite (pubs, karaokês e baladas). Aos destemidos, em Cusco é possível saltar do Bungee Jump mais alto da América do Sul, 122 metros de queda livre, amarrado pelos pés! Vai encarar?

E após muito andar a pé, de ônibus, carregando mochila, dormindo em camas não muito confortáveis, tomando alguns banhos gelados (todos esses, pequenos contratempos se comparados ao êxtase de estar realizando a viagem), tiramos os últimos dias de viagem para conhecer a região norte do Chile, especificamente Arica. O Chile vive bom momento econômico, mas o Real ainda vale mais que os Pesos Chilenos.

Arica é uma cidade litorânea de um lado, mas rodeada pelo deserto do Atacama do outro. Curtir uma praia foi o ponto final da viagem, fechar com chave de ouro. E mesmo que o frio tenha nos impedido de entrar na água, beber uma cerveja com os pés na areia, vendo o sol se por no Pacífico, foi de uma beleza surreal, algo que nenhuma câmera consegue captar.

Enfim, é impossível retratar em apenas um texto toda jornada feita nesse mochilão, mas cada esforço investido valeu a pena para realizar esse sonho. Um pouco de paciência para superar contratempos (e longas horas de viagens de ônibus, em estradas horríveis), mas a recompensa de todo esforço vai além das fotos e dos carimbos no passaporte. Mochilar é preciso!

 

Arica - Chile

Arica – Chile

 

Chacaltaya_Bolivia

Chacaltaya- Bolivia

El_Fuerte_Bolivia

El Fuerte – Bolívia

 

*Stefano Marchesini é jornalista de paixão e profissão. Blogueiro, metido a escrever sobre o que sabe (e o que não sabe também!). Viciado em séries. Pseudo-cinéfilo. Sonoramente eclético. Mochileiro. Fotógrafo de buteco. Insone. Notívago. Gosta muito de mulher e torce pra Juventus e Cruzeiro.

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Sobre palpitandoocotidiano

Sou jornalista, com pós em empreendedorismo e marketing.
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