Realidade x mito: um papo com o Corneta Europa

Por Rodolfo Rodrigues

corneta

De um tempo pra cá, o futebol europeu tomou conta da imprensa brasileira (estou exagerando?), com campeonatos de vários países, e até amistosos transmitidos todos os dias, além das comparações com o que acontece aqui e o que rola lá.

Crianças trocando as camisas tradicionais do nosso futebol por vestimentas de Barcelona e Real Madrid, para citar apenas dois.

Se por um lado há toda uma atmosfera empurrando as novas gerações para o futebol europeu (qualidade técnica dos nossos campeonatos, ingressos caros, desorganização, violência, etc), por outro aparecem pessoas (?) para tentar mudar essa realidade e mostrar que nem tudo no futebol europeu é uma maravilha.

Abaixo segue um bate papo com o Corneta Europa, um paladino que surgiu na internet, para tentar desmascarar o mito europeu.

PALPITANDO – Você não revela sua identidade, mas poderia falar pelo menos sua idade e de onde você é? É jornalista? Sem sim, trabalha na editoria de esportes de algum veículo?

CORNETA – Não trabalho com jornalismo esportivo. O resto meio que não tem importância. Nem é pra “manter um segredo”, é que acho que a Corneta Europa, sou eu, você e todo mundo. Mas não sou o Felipe Neto, isso eu posso garantir.

PALPITANDO – Como e quando surgiu à ideia de começar esse perfil que virou sucesso nas redes sociais?  Começou no Twitter e passou pro Facebook, como foi a construção?

CORNETA – A ideia surgiu através do @cornetacolorada e @cornetatricolor, e as perebas que os times deles mandavam pra Europa. Sempre considerei supervalorizado o tratamento ao futebol da Europa, até engraçada, meio ufanista ao contrário. Nunca tive maior pretensão, além de dar umas risadas. Facebook é algo que uso mais pra uma corneta com imagem, mas não sou grande fã na real.

PALPITANDO – Como é assistir o futebol europeu com um olhar mais crítico, tentando desmascarar alguns mitos e algumas farsas?

CORNETA – Teve um tempo que era mais fácil enganar, passava só os jogões. Hoje, com tanta TV e tanto campeonato, as emissoras são obrigadas a transmitir um Málaga x Rayo Vallecano da vida. Nem é preciso ser muito crítico pra perceber que é muita ruindade. O termo “futebol europeu” começou a ser usado como desculpa esfarrapada pra tudo que é bom, e não é bem por aí.

PALPITANDO – Gosta de alguma coisa no futebol europeu, ou realmente acha que não tem nada muito interessante por lá? Se sim, o que acha realmente bacana lá?

CORNETA – Estádio lotado em todos os jogos, principalmente na Bundesliga e Inglesão, não há motivo pra desgostar. Quem dera o Brasil conseguisse isso, porque claramente as torcidas de massa daqui são muito mais legais. Muita coisa eu exagero, mas de fato não sou um ENTUSIASTA do futebol europeu. É muito Fulham pra pouco Bayern.

PALPITANDO – Acha que a maior diferença do futebol brasileiro para o europeu é a organização, e claro o dinheiro para contratar os melhores jogadores aqui da América do Sul?

CORNETA – Tem muitas e muitas diferenças pra melhor, né. Não tem como comparar. Mas dinheiro é sim um fator importante. Tem aquele filme “Um dia sem Mexicanos”, tô pensando em fazer uma paródia com o futebol europeu “Um ano sem estrangeiros”. Imagina o caos, a comédia, a maravilha que seria o Inglesão apenas com jogadores nascidos na Inglaterra.

PALPITANDO – Agora que Puyol, o símbolo da Corneta Europa parou, pensa em adotar outro “ídolo”?

CORNETA – Acho que ele ainda vai enganar um pouquinho na MLS. Mas Puyol é um mito, é a representação de toda ruindade que deu certo. É um símbolo eterno.

PALPITANDO – Devido ao sucesso nas redes sociais surgiu o blog na Trivela?  Como aconteceu o convite? Como é sua relação com os leitores, eles levam numa boa, já que você “cutuca” alguns “ídolos” de uma geração. Recebe muitas críticas da turma que não entende as ironias?

CORNETA – O convite surgiu da interação no Twitter mesmo. Eles também já tinham esse viés da corneta e coisas mais descontraídas no site. Fiz umas colaborações, como o Guia da Champions, antes de começar o blog. A maioria das respostas é positiva, até onde percebi geral dá muita risada. Mas o “comentarista de portal” esse ser meio folclórico está sempre presente. Eu morro rindo.

PALPITANDO – Já percebi que você tem uma molecada nova entre seus seguidores. Não é irônico ter fãs da geração Playstation que você tanto critica?

CORNETA –  É bem irônico mesmo, mas rede social é isso aí. Tem uma molecada que nem entende. Tem um monte de gente com camisa de Chelsea ou sei lá o que me seguindo. Ou quando corneto o Arsenal (a maior diversão de todas) e um “torcedor” do Manchester City curte. Tudo errado.

PALPITANDO – Você pega no pé de muitos jornalistas na internet, principalmente os que se empolgam mais com as comparações entre o futebol brasileiro e o europeu. Já rolou alguma discussão mais forte, ou levam na boa? Muitos sabem quem é você?

CORNETA –  Na Trivela alguns sabem que sou eu (então esse deve ser o segredo menos bem guardado da Internet. hehe). Tiro onda com alguns comentários de jornalistas, mas se ofender com isso é se dar muita auto-importância. Esses caras enciclopédias de futebol europeu, Bertozzi, Hoffman, o Rodrigo de Oliveira, são todos de boa. Sou bloqueado no Twitter pelo Mauro César, mas quem não é?

PALPITANDO – E a Copa do Mundo no Brasil, qual a sua opinião sobre a organização e o futebol apresentado, não só pelos europeus, mas a bola (se é que teve alguma) jogada pela seleção brasileira?

CORNETA – O Brasil não jogou um porongo. Tem nêgo que acha que sou Pacheco, mas minha real ideia é só desmistificar a arigozada da Europa, não achar que no Brasil é tudo lindo e ótimo – seria meio demente. Mas foi uma excelente Copa, todo mundo se divertiu, teve vários jogaços, a Alemanha finalmente não amarelou, a Bélgica é o país do futuro que daqui quatro anos cairá nas quartas de novo e, não bastasse tudo isso, ainda nos livramos da farsa do tik-taka pra todo o sempre.

PALPITANDO – Que conselho você dá para o pai, que está preocupado com o filho que fica na frente da TV assistindo partidas do Portuguesão e do Francesão?

CORNETA – Leva o moleque pro estádio, não tem coisa mais legal. Ensina pra ele todos os macetes da corneta, que é mais legal ainda. E, sobretudo, diz pra ele que aquelas coisinhas do videogame (status de velocidade, habilidade e sei lá o que) não têm a ver com a vida real. O Fábio Coentrão é craque no videogame.

PALPITANDO – Para finalizar, o que o Brasil precisa aprender com a Europa, no futebol, e o que eles precisam aprender com a gente?

CORNETA – A coisa que eu mais gostaria é ver os times no Brasil saber vender o produto, ter um marketing foda. E pra todo tipo de pessoa, não só pra quem tem muita grana (que é que tá rolando, com enorme fracasso). Você vai à gringa e consegue fazer tour no estádio, algo que aqui é raridade. Você sai na rua aqui e vê um monte de gente com camisa do Bayern, Barcelona, Milan e o contrário é impossível. No entanto, até pelo tamanho do Brasil, temos vários clássicos regionais gigantes e a emoção é incomparavelmente maior a aqueles da Europa (com raras exceções). Sempre me perguntei o que faz o torcedor do Barcelona pra gozar o do Real Madrid no dia seguinte a uma goleada: um interurbano?

 

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Sobre palpitandoocotidiano

Sou jornalista, com pós em empreendedorismo e marketing.
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