Nós ajudamos financiar o circo

Por Rodolfo Rodrigues

circo

Muito já foi dito e escrito sobre a palhaçada que aconteceu no Campeonato Brasileiro, envolvendo o rebaixamento da Portuguesa e o salvamento do Fluminense. Não quero entrar no mérito da lei, até porque não sou especialista no assunto, sobre isso quero apenas dizer que o justo seria a Lusa perder os quatro pontos, mas pagar no ano que vem, começando a competição com pontuação negativa. Assim, o Fluminense se manteria na segunda divisão, local que “conquistou” em campo.

Meu objetivo é falar sobre a paixão, o amor e o vício que o futebol causa nas pessoas. O futebol virou um grande circo há algum tempo, é inegável, mas não sou da turma que acha que tudo é armado e que adora uma teoria da conspiração. Até porque, o dia que eu achar que tudo é uma mentira, não acompanharei mais.

Por outro lado, não sou ingênuo, e no futebol, como em tudo na vida, há coisas obscuras. E não adianta falar que isso é exclusividade brasileira, que o brasileiro é malandro e desonesto e por aí vai. Isso acontece, infelizmente, em todo o mundo, basta ler os noticiários.

Já fui bem fanático, hoje em dia continuo torcendo, mas o fanatismo não é mais o mesmo. Muitas coisas vão diminuindo a paixão, como este caso que aconteceu (citado no início do texto), entretanto, o amor ainda não morreu. Todos torcedores (tirando os do Fluminense) ficaram revoltados, com razão, mas é bom dizer que 90% (pouco menos, ou não) dos revoltados estariam felizes se isso tivesse acontecido com o clube deles.

Querendo ou não, é a gente que financia esse circo. Nós, torcedores que gastamos dinheiro com o futebol, não conseguimos largar este vício maldito que ajuda a bancar os homens que fazem atrocidades com o esporte. Os caras fazem o que querem com a caneta, porque sabem que os trouxas (nós) vão (vamos) continuar consumindo o futebol.      Quantas pessoas vão largar a paixão depois da nova salvação do Fluminense? Acredito que poucas.

Daqui a pouco recomeçam os campeonatos e a maioria dos torcedores vai torcer, sorrir e chorar por seus clubes, e segue a vida.

Não só em questões relacionadas a tribunais. O torcedor paga caro pelo ingresso e ainda é maltratado, mas continua firme e forte indo a todos os jogos. O futebol possui os consumidores mais fiéis do mundo. Nenhum outro lugar continua recebendo as pessoas felizes depois de tantas mazelas. Ou você volta a um restaurante que te tratou mal? Ou em uma loja na qual não foi bem atendido? Se alguma operadora de celular ou cartão de crédito pisou na bola, a primeira coisa é pensar em abrir um processo, mas quantos processam seus clubes do coração por serviço indevido ou mal realizado?

Só um amor tão grande consegue fazer as pessoas continuarem acompanhando esse esporte. Sou um dos trouxas, um dos bobos que ainda não consegue largar este “crack” (não sei se aguentarei por muito tempo).

Espero que a violência, corrupção, desorganização e outras coisas ruins não vençam essa guerra contra o futebol, mesmo sabendo que algumas batalhas já foram perdidas.

 

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Sobre palpitandoocotidiano

Sou jornalista, com pós em empreendedorismo e marketing.
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