RIR e as impressões da segunda semana

Por Rodolfo Rodrigues

Foto Alexandre Macieira Riotur

Iron Maiden -Foto Alexandre Macieira Riotur

Na semana passada, comentei neste espaço sobre os três primeiros dias do festival Rock in Rio (leia aqui). Agora, voltei para dar minha opinião sobre as quatro noites finais do evento. Assim como nos primeiros dias, alguns shows consegui assistir ao vivo pela TV, outros resgatei na internet.

Na quinta-feira (19), o palco Sunset começou com as bandas brasileiras República e Dr. Sin, com a participação do produtor e guitarrista americano Roy Z, que já produziu diversos artistas do mundo do metal. O show foi bacana, mas nada de extraordinário. Depois subiram ao palco as bandas Almah e Hibria, representantes do heavy metal nacional. Achei o show muito ruim. No final as duas bandas resolveram homenagear o Led Zeppelin tocando o clássico “Rock in Roll”, Edu Falaschi, que já foi vocalista do Angra, estava muito desafinado.

Por falar em desafinação, a próxima atração foi Sebastian Bach, que foi sucesso no início dos anos 90 como vocalista do Skid Row. Foi um show de horrores, parecia uma banda colegial tocando no intervalo da aula no dia do estudante.

O último a subir no Sunset foi Rob Zombie, aí sim, um bom show. O veterano roqueiro mandou ver no palco, boa apresentação que levantou a galera.

Sepultura e Tambors do Bronx deram início aos shows no palco Mundo. Na edição de 2011, pude conferir essa apresentação no Sunset. Novamente foi um excelente show. Os clássicos da maior banda de metal do Brasil fizeram a plateia cantar e agitar do início ao fim.

Depois foi a vez do Ghost B.C, banda sueca de rock satânico, onde os membros não revelam nomes e rostos. Não curto o estilo, achei um show esquisito, mas tem gente que gosta.

Aguardado por muitos, os americanos do Alice in Chains fizeram um grande show. A banda grunge de Seattle mostrou que continua em forma, mesmo com a troca de vocalista (William DuVall entrou no lugar do falecido Layne Staley). Foi a primeira vez que acompanhei o novo vocalista ao vivo e gostei do que vi e ouvi.

Para terminar com chave de ouro, foi a vez do Metallica. Mesmo com 40 minutos de atraso, novamente eles foram os donos da noite, assim como em 2011(show inesquecível pra mim) os veteranos reis do rock pesado detonaram. Sou suspeito para falar, mas foi um showzaço.

Sexta-feira

O palco Sunset teve shows de The Gift e Afrolata. Depois, foi a vez de Mallu Magalhães e banda Ouro Negro (o maestro da banda é Mário Adnet, tio do humorista Marcelo Adnet, que é de família de músicos). Para quem gosta de Los Hermanos, não é o meu caso, foi bom, a Mallu é o Camelo de saia. O mesmo estilo bêbado de cantar.

Os que eu não conhecia e foram uma grata surpresa: Grace Porter and the Nocturnals, baita cantora, excelentes músicos e boa presença de palco, uma mistura de rock e blues, com pitadas de soul. Eles fizeram um dueto com Donovan Frankenreiter, que começou o show com seu hit “Free”, Grace Porter assumiu o teclado e os backing vocals. Muito bacana a dobradinha.

Ben Harper e o gaitista Charlie Musselwhite fecharam os trabalhos do Sunset, com um show recheado de blues. Um momento legal foi quando Harper agradeceu a presença de Bob Burnquist e o skatista brasileiro subiu ao palco para abraçar o amigo e ser ovacionado pelo público, que gritou seu nome. Harper e Musselwhite ainda mataram a pau com ‘When the levee Breaks’, do Led Zepellin, que encerrou o show.

O palco mundo foi aberto com Frejat, que começou com um cover de Caetano Veloso e emendou vários hits de outros artistas, como Mutantes e Tim Maia. Claro que suas músicas e do Barão não faltaram, mas era melhor o Barão Vermelho ter tocado. O show ficou uma mistura de karaokê e baile da saudade, mas no geral foi bom. Achei a apresentação de 2011 melhor.

Depois vieram Matchbox Twenty e Nickelback, não gosto de nenhuma das bandas e vi pouco dos shows. Se tivesse presente no Rock in Rio, neste momento iria comer e beber alguma coisa, ir ao banheiro e depois curtir a rock street. Assisti algumas músicas do Nickelback, se eu já achava ruim pelo rádio, ao vivo consegue ser pior, uma espécie de Backstreet Boys com guitarra (tá, desculpa o exagero). Mas a real é que todas as músicas parecem a mesma.

O encerramento da noite ficou a cargo do Bon Jovi. Não curto, mas o grupo tem vários sucessos que qualquer pessoa sabe cantarolar. Além do guitarrista Richie Sambora, demitido da banda por problemas de alcoolismo, outra ausência considerável foi do baterista Tico Torres, internado por conta de uma crise de vesícula.

 

Sábado

O sabadão começou com a Orquestra Imperial junto com o rapper italiano Jovanotti. Depois, o Sunset ficou com um ótimo clima, e boa música, Morais Moreira, Pepeu Gomes e Roberta Sá relembraram o repertório dos Novos Baianos. Não é exagero dizer que foi um dos melhores shows do festival, excelentes músicos mandando ver. A plateia, que, na sua maioria, não havia nascido na época dos Novos Baianos, cantou e agitou o tempo inteiro. Seria legal um show desse tipo na abertura ou no encerramento da Copa do Mundo.

O Sunset ainda teve a junção de Ivo Meireles, Fernanda Abreu e Elba Ramalho. Não gostei, achei uma chatice sem tamanho, principalmente o Ivo com sua batucada.

Outro ótimo show do Sunset foi do Gogol Bordello, banda que mistura punk rock com música cigana. A apresentação é muito animada e legal. A galera agitou muito. No final eles contaram com a participação de Lenine, que depois fez seu show solo para terminar o dia do palco secundário.

Skank abriu o palco Mundo, hits atrás de hits, a banda ao vivo é ainda melhor que nos discos. O show ainda contou com a participação de Emicida, em “Presença” e Nando Reis em “Resposta”. Apesar de o repertório ser o mesmo velho conhecido de sempre, o show foi muito bom.

O segundo show do palco principal foi de Phillip Phillips, ganhador do American Idol de 2012. Um bom cantor pop, mas não vejo como um show pra palco Mundo. Depois foi a vez do John Mayer, show esperado pela mulherada. Gosto do trabalho acústico e do projeto de blues dele, fora isso não curto. O show teve um repertório mais pop, reconheço que é bom artista, mesmo às vezes aparecendo mais pelas namoradas famosas do que pela música, em alguns momentos, todas as músicas parecendo ser as mesmas. Uma curiosidade levantada pela galera no twitter é a semelhança física de Mayer com o cantor Luan Santana. Pelo que vi no Rock in Rio, as fãs de ambos também são bem parecidas, adolescentes escandalosas que choram mais do que curtem o show.

Para encerrar o penúltimo dia, o escalado foi o grande Bruce Springsteen e The Street Band, que dispensa comentários. Sensacional o espetáculo, uma banda classe A. E assim como no show que fez em São Paulo mandou em bom português, Sociedade Alternativa de Raul Seixas, desta vez ele abriu o show com essa música, foi como chegar chutando a porta e mostrando quem manda no pedaço. The Boss mostrou muito carisma, deu o microfone para um garoto cantar, brincou com o público, fez um show de quase três horas de duração. Para encerrar mandou um cover de Twist and Shout. Difícil eleger o melhor show do Rock in Rio, mas Bruce Springsteen briga nas cabeças, e olha que não sou um profundo conhecedor de sua obra.

Domingo

Assim como na quinta-feira, domingo foi o dia dos headbangers invadirem a Cidade do Rock. O Sunset começou com o reencontro de André Mattos e sua ex-banda Viper. Eles mandaram músicas da época de André no Angra e no Shaman, além de canções do Viper e um cover de Queen.

Depois vieram os alemães do Destruction e os brasileiros do Krisiun, thrash metal de primeira.

Logo em seguida foi a vez do heavy metal dos veteranos alemães do Helloween, que contaram com a participação do primeiro vocalista de fundador da banda, Kai Hansen.

Uma mistura que me deixou muito curioso e me agradou bastante foi a reunião de Sepultura e Zé Ramalho. Primeiro, o Sepultura subiu ao palco para mandar vários “lados B” da carreira, em comemoração aos 30 anos da banda. Depois Zé Ramalho subiu ao palco para fazer ao lado os metaleiros um dos melhores shows desta edição, simplesmente demais. Vários clássicos do cantor e compositor com belos arranjos de thrash metal. Ficou o gostinho de ver isto ao vivo. ‘Zépultura’, que show!!!

Das quatro bandas que tocaram no palco Mundo, eu gosto do trabalho de apenas duas: Slayer e, claro, Iron Maiden. Quem abriu as apresentações do palco principal na última noite, foi a banda de hard rock brasileira Kiara Rocks que começou mandando Ace of Spades do Motörhead. Depois de uma sequência de músicas próprias ele chamaram ao paco Paul Di’Anno, ex- vocal do Iron Maiden e Marcão ex- guitarrista do Charlie Brown Jr, para tocarem covers de ‘Highway to hell’, do AC/DC, Blitzkrieg Bop, do Ramones e Wrathchild, do Iron Maiden.

Os americanos do Slayer, uma das bandas mais respeitadas no metal mundial, foram os próximos a subirem ao palco. Eles estão entre as quatro maiores bandas de thrash metal de todos os tempos, ao lado de Metallica, Megadeth e Anthrax, o chamado Big Four.

Avenged Sevenfold subiu logo em seguida. Não conheço praticamente nada da banda, mas achei um show honesto e bacana para os fãs, o que não é o meu caso.

E o ‘grand finale’ ficou por conta do Iron Maiden, que dispensa qualquer apresentação. Harmonia, destreza, melodia, solos maravilhosos e muitos clássicos. Bruce Dickinson mais em forma do que nunca. Nem alguns problemas técnicos no som atrapalharam o show. Infelizmente não pude ir, mas vibrei na frente da TV, como se estivesse lá. Uma curiosidade foi Dickinson fazendo “merchan” da cerveja Trooper, lançada pela banda, aposto que a Heineken, patrocinadora do Rock in Rio, não ficou nada satisfeita.

Quem gosta de falar que no Rock in Rio não tem rock quebrou a cara. É só saber escolher o que assistir. Claro que como todos os festivais sempre tem coisa ruim para uns e boas para outros, mas no geral, acho que agradou todo mundo. Eu gostei bastante e me diverti muito na frente da TV e do computador. Espero retornar à cidade do rock, em 2015, quando marca 30 anos do evento.

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Sobre palpitandoocotidiano

Sou jornalista, com pós em empreendedorismo e marketing.
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