Imagina na Copa

*Por Tiago Mattar

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Virou campanha publicitária e estourou nas redes sociais com os pessimistas que teimam em afirmar que a Copa no Brasil será fracasso de organização. Esse “Imagina na Copa” é uma baita chatice, convenhamos. Até ontem, como bom brasileiro que sou, minha posição era de total otimismo quanto ao sucesso dos torneios internacionais. Uma noite, no entanto, foi o suficiente para que todas as expectativas caíssem por terra.

Brasil e Chile protagonizaram um jogo burocrático no Mineirão. Nenhuma das equipes agiam de forma incisiva e o confronto pouco proporcionava em termos de emoção. Mas não esperava muito do duelo. Saí de casa às 19h, rumo ao Gigante da Pampulha, para conferir a organização e o primeiro teste seguindo os padrões FIFA. Chacota generalizada.

Desde o início da Av. Antônio Carlos, uma das principais vias de acesso ao estádio, congestionamento de cerca de oito quilômetros. Nada andava. No rádio, o capitão de segurança da PM culpava uma manifestação de professores, ocorrida horas antes do jogo. A paciência no trânsito perdurou até eu avistar o primeiro guarda da Transtorno, na chegada do Estádio. “O perímetro tá fechado a partir daqui, grande?”, perguntei. – “Vai seguindo, camarada, seguindo…”, me disse.

O diálogo se repetiu em todas as solicitações seguintes de informação. A impressão era de que ninguém sabia de nada ou que guardavam algum tipo de segredo. Os policiais eram francos: “Vaga hoje, só amanhã”, afirmou um deles. No meio de outro trânsito, esse com carros procurando estacionamento, o relógio já marcava 21h30. No momento em que usava o twitter para “xingar muito”, a valorizada vaga apareceu. Dentro de um bairro, no final de uma rua. Mocado! Cerca de 20 minutos do estádio. 21h45. A correria começou.

Entrei no estádio com cinco minutos de bola rolando. Ainda de pé, consegui visualizar o confuso gol da seleção chilena, aos 7’. Ali, começava a segunda saga: encontrar a cadeira – sim, estavam respeitando os lugares marcados pelo ingresso. Encontrada, foi hora de assistir a pelada. Com observações registradas. Com uma fome, meu amigo, brutal.

No intervalo, à procura de curar esse mau, mais decepção. Situação inusitada em 20 anos de Mineirão: o Tropeiro havia acabado. Voltei para a cadeira, depois de muito custo, com o humor estourando. Quando o cronometro marcava 35’, comecei a pensar nos quilômetros para voltar ao carro e mais, no trânsito latente que me aguardava. 90 minutos de preocupação foi a tônica do meu jogo. Ah se eu não fosse um louco por futebol…

Saí conversando com os amigos, comentando as cento e uma dificuldades, e o termo, inevitavelmente, estava sempre lá: “Imagina na Copa?!”.

*Tiago é jornalista em formação

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Sobre palpitandoocotidiano

Sou jornalista, com pós em empreendedorismo e marketing.
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