Dia do jornalista, sem muito o que comemorar

Por Rodolfo Rodrigues

AB15521

Hoje, sete de abril, é um dos 73 dias comemorados como “Dia do Jornalista”. Poderia ficar escrevendo várias coisas “bonitas” e interessantes, como falar que somos os historiadores do cotidiano, que temos grande dever social, que tivemos papel fundamental em momentos importantes e históricos do país, que o jornalismo é o quarto poder etc., mas acredito que não temos muito o que comemorar.

Todo mundo (ou quase) sabe que grande parte dos jornalistas trabalha com salários abaixo do piso, em condições precárias, sem estruturas nas redações e com censura. Sim, em pleno 2013 ainda há censura neste país. Como disse o colega jornalista,  Alexandre Silva, hoje é o feliz dia do “não posso publicar isso, o governo é parceiro do jornal”.

De acordo com a Press Emblem Campaign (PEC), entidade suíça que se dedica a defender a liberdade de imprensa, o Brasil foi o quinto país do mundo, no ranking de assassinatos de jornalistas, em 2012.

Há 31 dias, o colega Rodrigo Neto foi brutalmente assassinado em Ipatinga e até o momento não se sabe realmente o motivo do crime e quem foi o mandante. Rodrigo era um exemplo de profissional inquieto que buscava a informação acima de tudo. Ele não era um mero reprodutor de B.O., fazia a cobertura policial, em jornal e rádio, com investigação. Corria atrás dos fatos.

Todo crime precisa ser solucionado e os culpados devem pagar, mas neste caso é importantíssimo descobrir os mandantes. Se a morte de um jornalista não trouxer punição para os culpados, temo que se abra uma brecha perigosa e que os demais profissionais fiquem com medo de continuar seu trabalho.

Espero que tenhamos, o mais rápido possível, uma resposta sobre a execução de Rodrigo. Ele, que lutou para que vários crimes fossem solucionados, não pode ser vítima do esquecimento.

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Sobre palpitandoocotidiano

Sou jornalista, com pós em empreendedorismo e marketing.
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2 respostas para Dia do jornalista, sem muito o que comemorar

  1. Monise disse:

    Concordo, infelizmente não há o que comemorar!

  2. Monise disse:

    É o que você disse: salários baixos, jornalistas assassinados, censura… Nem diploma temos mais!

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