O borderô do tropeirão

Por Rodolfo Rodrigues

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Sou do tempo que no final das partidas de futebol, as pessoas discutiam táticas, lances polêmicos, elogiavam ou criticavam jogadores. Todo brasileiro era treinador e todo mundo jogava mais que o atacante perna de pau de seu time.

Hoje em dia, pelo visto, as coisas estão mudando. Pelo menos em Minas Gerais. Ao invés de treinadores, os mineiros apaixonados por futebol estão virando chefs de cozinha, economistas e advogados.

Como diria o grande Raul Seixas, eu também vou reclamar.

Após duas rodadas do campeonato estadual, o que mais se lê e escuta são pessoas falando do tropeiro vendido no Mineirão, do contrato do Cruzeiro com a Minas Arena, e do borderô (documento que mostra todo balanço financeiro de uma partida) dos jogos.

O Cruzeiro assinou dois contratos para jogar no Mineirão, um com a Secopa (Secretária de Estado Extraordinária da Copa) e um contrato comercial com a Minas Arena. O primeiro por ser público, é possível ter acesso, já o segundo pode ser mantido em sigilo, e que eu saiba, até o momento, ninguém o divulgou. Se o contrato é vantajoso ou não para o Cruzeiro, não sei, não li e não comento algo que não tenho conhecimento. Mas nas redes sociais, o que vemos são vários “especialistas” analisando e chegando a diversas conclusões, sem ao menos terem tido um breve contato visual com o tal contrato.

Para piorar, a nova briguinha entre cruzeirenses e atleticanos é analisar a renda bruta e líquida do Mineirão. De um lado querem mostrar que é vantagem, do outro, querem provar que é prejuízo mandar partidas no Gigante da Pampulha. Uma chatice de grandes proporções. O mais intrigante é que Cruzeiro e Atlético não possuem estádios, e os torcedores brigam para mostrar qual estádio é melhor.

Como chatice pouca é bobagem, os especialistas em alta gastronomia estão reclamando do novo tropeiro do Mineiro. O feijão tropeiro é algo enraizado na nossa cultura e é tradição comê-lo no estádio, mas já passaram dos limites as reclamações. Estádio é lugar pra assistir futebol, se quiser comer bem, procure um restaurante e largue mão de tanta frescura. Claro que todo mundo que pagou quer ser tratado bem, não tenho dúvida, mas algumas reclamações estão dando preguiça.

Pode ser que o errado seja eu, ou melhor, demorei a perceber que isto é mais um pioneirismo de nós mineiros, dentre tantos outros na história deste país.

Para aguentar a chatice que são os campeonatos estaduais, inventamos um novo jeito de torcer e uma nova maneira de analisar o futebol, já que tirando os clássicos e a final, não há mais nada de interessante neste tipo de competição.

Em Minas, nossos craques são o tropeiro e o borderô. Não vejo a hora do Felipão convocar nossos ídolos para a seleção. Imagina o Mineirão lotado ecoando: “Uh terror, o tropeirão é matador”, ou “ão ão ão o borderô é seleção”.

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Sobre palpitandoocotidiano

Sou jornalista, com pós em empreendedorismo e marketing.
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32 respostas para O borderô do tropeirão

  1. Discordo de vc quando fala do tropeiro. O tropeiro do Mineirão sempre foi um patrimônio do Estádio e essa mudança não foi boa! Porque as pessoas não podem pedir o tropeiro tradicional do Mineirão? Estamos pagando caro e eu quero comer bem em qualquer lugar!

  2. pessimo texto .afff para chamar atençao e melhor colocar uma melancia na cabeça.afffffffffffffffff

  3. Impressionante a sua falta de cultura….comodismo e falta de respeito com a liberdade de expressão.

  4. Cristiano R. disse:

    Tá precisando sair um pouquinho das redes sociais amigo!

  5. Mário disse:

    A discussão ao inverso do que coloca deveria ser obrigatória. Os milhões investidos são nossos, dos mineiros. A isonomia pregada na PPP que deveria gerar condições iguais para os interessados depende da publicidade. A Minas Arena não alugou o Mineirão e mediante o pagamento do aluguel encerra suas obrigações com a população e o estado. Ela foi responsável pela construção e agora pela administração. Administração de que? Do equipamento conhecido como Mineirão que é PÚBLICO e está destinado a servir igualitáriamente aos mineiros interessados. O próprio texto da PPP define o papel da administradora. Como saber da isonomia com contratos sigilosos, principalmente dizendo respeito a um equipamento PÚBLICO destinado a servir a comunidade. Discussões sobre faturamento maior não podem mascarar a discussão principal sobre nossa vigilância obrigatória do uso de nossos recursos e do enriquecimento de particulares com a apropriação da coisa pública. È chato? Mais chato é falta de investimento em saúde e educação, mais chato será quando nossos times se distanciarem no faturamento dos times dos outros estados enquanto um particular usando equipamento público está faturando muito mais do que acontece no mercado mesmo quando o investimento é exclusivamente particular. Chato somos nós preferirmos sermos roubados a discutir e esclarecer as ações de nossos governantes. Nos concentrarmos no principal e não usarmos eventos periféricos como desculpa para desistir é nossa obrigação.Cada povo tem o governo que merece. Ai de nós…

  6. Eu sou responsável por aquilo que escrevo, e não por aquilo que as pessoas vão entender. Não gostar tudo bem, não entender é demais. Enfim, aprovo todos os comentários, não escondo nada. Como eu disse, quem não tem senso de humor e não conhece ironia era melhor nem ler o texto. Ah no próprio blog tem um texto falando e reclamando dos destratos e das mazelas do Mineirão.

    • Putz! usar a ironia como desculpa por texto infeliz é triste. Veja minha resposta acima como ironia e fica tudo certo!

    • Mário disse:

      Velho, a questão é que somos viciados em humor e temos ojeriza de sentirmos indignação. Trocar um pelo outro e aliviar nos desmandos dos nossos governantes é nossa história. Nem sempre é positivo correr para o humor leve antes de um bom protesto incisivo e insistente em busca de soluções e de um novo padrão. Mas é mais fácil e simpático. Então repito que cada povo tem o governo que merece. A onda de que tudo é mimimi é burra e nos prejudica.

  7. Acho que todo mundo tem direto a reclamar/questionar, mas eu tô cansado dessa “geração mimimi” ontem o Anselmo Ramon fez um GOLAÇO de letra, Ninguem fala nada, mas do tropeiro, da falta da lixeira….. como tem gente chata hoje em dia, o FUTEBOL as vezes fica em segundo plano em um jogo de FUTEBOL, chega a ser bizarro.

  8. Complicado de se escrever um texto irônico é que poucas pessoas realmente entendem. Em tempo: onde eu assino?

  9. Júlio disse:

    As pessoas não entendem ironia, isto mostra a qualidade do ensino brasileiro, estamos cheios de analfabetos funcionais. Parabéns pelo texto e aconselho o pessoal ai procurar uma escola.

  10. Rudson disse:

    esquecem de analisar e investir em técnicas e focam apenas na purpurina, no cheiro de amônia, no cabelo de feijão, nos milhões de bolsos alheios. Acabou a várzea, acabou o talento. No cenário dos negócios, pouco importa a estratégia de jogo. Vale mais a publicidade e as cifras que acabam em concessionárias, imobiliárias e na vara da família…. e por aí vai.. parabéns pelo blog e texto.

  11. Parabéns pelo texto! Além de muito bem escrito, resumiu toda a falsa preocupação discutida pelas redes sociais.
    Alguns reclamam sem nunca terem comido o antigo tropeiro; outros reclamam porque viram reclamar; outros, porque não tem o que fazer; e ainda existem os que se preocupam mais em aparecer na internet como politicamente corretos e defensores de todos os direitos humanos e blá blá blá, do que com o próprio clube e a finalidade principal do estádio que é o JOGO DE FUTEBOL.

    Às vezes penso que deveríamos estar na época do polegar opositor.

  12. Cursinho básico de interpretação… 5 módulos… eu to vendendo!

  13. Andressa disse:

    Hoje em dia uma determinada espécie tomou conta do nosso país. São os que chamo de “revolucionários do mouse”. Querem mudar o mundo sem sair de frente da tela! Ô beleza! O verbo de ordem é “reclamar” e a expressão preferida é “precisamos lutar por nossos direitos”. Ah, só que tudo virtualmente, tá?

    A maioria nunca pisou no estádio, sequer experimentou do bendito/maldito tropeiro do lugar. Mas já que tá todo mundo reclamando, porque não ajudar, né?

    Concordo com seu texto.
    No futebol, do que menos se fala é sobre futebol.
    Vai entender!!!

  14. Daniel Paiva disse:

    A onda é mesmo reclamar. Uns reclamam do tropeiro e vc reclama de quem reclama do tropeiro, o que é pior. Porque quem reclama do tropeiro pelo menos está se indignando com o assassinato da tradicao, do folclore, e principalmente do respeito ao torcedor. E vc está se indignando apenas porque está cansado de ouvir reclamações.

    • Rafael disse:

      E quem ta indignado com o assassinato da tradição do tropeiro, esquece que o nosso futebol também, está morrendo, justamente por pessoas que preferem discutir um simples tropeiro do que um jogo de futebol. Concordo com o texto, quem ta afim de comer vai procurar um restaurante.

  15. ISSO AÊ METAL!!! Seu blog finalmente atingiu o patamar das discussões que gerou a criação do mesmo: a liberdade de expressão e a discordância na polêmica. Mais massa que o texto é que vc aprova tudo q a galera posta. Nesse texto eu particularmente ainda concordo c o que vc escreveu e digo mais: tropeirão é seleção mesmo! meio campista ainda!

  16. Mauro César disse:

    Concordo com tudo que foi dito e isso basta!

  17. Kaleo Martins disse:

    Parabéns Rodolfo! Excelente texto! Infelizmente a geração de hoje só sabe ficar na internet e reclamando. Não entendem o texto e ficam falando besteiras.

  18. Pires disse:

    Tem meia dúzia(quase a metade da pequena torcida) de atleticanos que ficaram com dor de cotovelo e agora entram na justiça dizendo que passaram fome no estádio. No próximo jogo a Minas Arena vai mandar servir farofa de galinha, quem sabe assim esta turminha perde calada.

  19. AJ Galo Doido disse:

    Pode ser não, o errado é você mesmo.

  20. Walter disse:

    Este Mario deve ser atreticano. Será que ele falou a mesma coisa quando o Atrético firmou contrato de exclusividade com o Independência? Lembro que o presidente chamava o Cruzeiro de inquilino, como se fosse o dono do estádio e agora, porque não podem assinar um contrato nos mesmos termos que o Cruzeiro, devido ao contrato de exclusividade anteriormente assinado, vem com esse negócio de “servir igualitariamente aos mineiros”.

  21. Emmanuel disse:

    Quantos analfabetos funcionais por aqui…incrível como o texto.

  22. Geraldo disse:

    Se o povo pagou pela reforma ele tem o direito de querer ser bem tratado; nesse aspecto, reclamar da piora na qualidade dos serviços faz parte. Não acho nenhum absurdo constestar a qualidade do tropeiro, muito pelo contrario, absurdo seria se omitir. Mas algo que me deixa muito mais intrigado é ver alguém que, ao invés de usar o espaço para também contestar o escárnio com nosso dinheiro e cultura(tropeiro mineiro de qualidade faz parte dessa cultura), se opõe aos que estão tentando de alguma forma preserva-los.
    Em tempo: a discussão do borderô, essa sim, já tá chata pra cacete.

    • Rafael disse:

      O meu amigo, se você não entendeu o texto lê de novo e quantas vezes for necessário pra você entender. O texto não está reclamando do direito de querer ser bem tratado e nem do tropeiro que é tradição mineira. a imprensa e as pessoas não tem o que falar de futebol ( pelo fato do campeonato ser um lixo) e fica desviando para outros assuntos. o fato de querer discutir da piora do tropeiro do Mineirão ser mais importante do que o jogo em si, isso que me apavora, o futebol ta virando palhaçada mesmo, as pessoas vão ao estadio para comer e nem lembram do jogo.

  23. Pra turma que acha que estou defendendo a Minas Arena e que não entendeu meu texto, queria pedir para olhar este texto aqui https://palpitandoocotidiano.wordpress.com/2013/02/05/torcedor-fiel-x-consumidor-fiel/

  24. Ricardo disse:

    Estou assustado com alguns comentários. Se o MEC ler algumas pessoas aqui, vai ver que o ensino do português nas escolas está pior do que todo mundo imagina. Será que é tão difícil entender que a ideia do texto é mostrar que o futebol tá deixando de ser a coisa mais importante de um estádio?

  25. Jorge Fernando Schulman disse:

    Rodolfo, meus parabéns pelo texto, de altíssima qualidade pela maneira como ironiza sem machucar, pondo em questão nossa fragilidade como consumistas e nossa ignorância cidadã. Parece que nosso ciberhipocondria está evoluindo a passos agigantados. Borderô e tropeiro… passo.

  26. Geraldo disse:

    Eu entendi o texto, Rafael! Só acho que a critica, no quesito tropeiro, não é válida! Quando eu planejo ir ao mineirão o meu tropeiro é obrigatório nos intervalos! E se ele não é servido decentemente, a qualidade do espetáculo com um todo, cai. Simples assim. É óbvio que isso não é o mais importante, quero ver meu time ganhar e se ele ganhar comigo comendo, tropeiro, caviar ou paçoca, eu vou sair de lá feliz. Mas se ele perder e eu sair de lá mal alimentado pode ter certeza que eu vou ficar mais triste ainda..um tropeiro de qualidade ajuda nessas horas..hahahah
    Vale lembrar que tá dando resultado: http://www.mg.superesportes.com.br/app/noticias/futebol/interior/2013/02/08/noticia_interior,241701/resumiram-o-tropeiro-a-feijao.shtml

  27. Fabio disse:

    Todo texto na internet tem esses mesmos comentarios. Gente criticando o que nao eh a ideia principal do texto. Ou eh mesquinharia, ou implicancia ou entao 90% dos leitores nao entendem NADA do que leem. Estou mais para a terceira alternativa. Bom texto, Rodolfo! Eh realmente um saco a gente ficar doido pra comentar do jogo e neguinho ficar falando de contrato (que ele nem leu)…

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