Jornalistas e as redes sociais. Será que eles sabem usar esta ferramenta?

Por Mericks Mendes

 new_twitter_logo

As redes sociais são um universo onde a velocidade da informação é quem dita regra. Mas será que esta informação é séria? Será que é apurada como manda o bom jornalismo?

É sobre isso que vou falar um pouco neste texto, levantando algumas questões sobre a conduta de repórteres esportivos que usam as redes sociais para passar suas informações, sejam elas verídicas, apuradas ou não.

Trabalho como Analista de Redes Sociais. Estudo as redes sociais, o comportamento dos internautas, interação, geração de conteúdo entre outras coisas. Tenho perfil em várias delas, principalmente Twitter e Facebook. E é sobre a conduta de alguns repórteres esportivos principalmente no Twitter que irei falar um pouco.

Eu gosto muito de futebol, sou fanático pelo Cruzeiro. Gosto de discutir sobre o clube, sua política, contratações, esquemas táticos, e também critico. Chego a ser chato de tanto que falo sobre futebol. Em meu Twitter falo de tudo um pouco. Politica, música, publicidade, social media, mas o futebol é o principal assunto.  Tenho um cuidado que muitos repórteres não têm. Não falo ou afirmo algo de que não tenho certeza. É uma diversão que tenho, não o utilizo para fins profissionais. Para isso, tenho uma fan page.

Por falar muito de futebol e seguir quem também acompanha, tenho contato com vários repórteres esportivos, seus pontos de vista e sua informações. Penso que se um repórter entra para uma rede social, antes de tudo ele deve definir o que vai fazer com esta conta.

Vai ser uma conta pessoal onde somente informações corriqueiras serão postadas? Ok. Vai usar a esta conta como fonte de informação e notícias? Ok. Caso queira usar para estes dois fins, que o faça com responsabilidade. E vejo que muitos não o fazem.

Vou exemplificar com um fato que aconteceu esta semana. Tenho um irmão repórter numa grande emissora de TV e durante esta semana ele publicou uma informação sobre um determinado jogador, a divisão de seus direitos federativos, o valor destes direitos e o clube que estava na briga para ter este jogador.

Por infelicidade, ele publicou de forma incorreta a porcentagem deste jogador que, se somado, daria 110%. Ele corrigiu a informação em seguida, colocando a porcentagem correta, mas logo depois de publicada, surgiu esta postagem feita por um colega de profissão do meu irmão:

“Fulano (nome do jogador) é o primeiro atleta com 110% de direitos federativos do país. Ta cheio de palhaço neste circo.”

Este repórter não só desprezou a informação como foi totalmente antiético ao chamar o colega de palhaço. Isso me deixou com raiva por dois motivos. Primeiro por ser meu irmão e saber que ele apura as coisas antes de publicar e segundo pelo fato deste referido repórter ter histórico de em outras oportunidades xingar internautas que o questionavam sobre as informações publicadas pelo jornal onde ele trabalha mandando todos “para aquele lugar”.

Um outro repórter disse uma vez que ao invés dos internautas ficarem enchendo o saco dele, que deveriam procurar saber quem era a transa da mãe, entre outros impropérios.

Acho que o mínimo a se esperar das pessoas é respeito. A pessoa posta uma informação e é chamada de palhaço por ter errado uma porcentagem. A esses paladinos, salvadores do bom jornalismo, meus irônicos parabéns. Se o Twitter é um circo, vocês também fazem parte dele. Se estão incomodados, encerrem suas contas. Não é difícil. Se precisarem de ajuda, eu ensino.

Há aqueles que não apuram a informação se um determinado assunto se torna um “buzz”. Simplesmente publicam como se aquilo fosse verídico. Nada é apurado, é tudo na base do “Control C / Control V”.

Existem os que ficam sabendo determinada informação e as publicam como se fosse dele, não dão os créditos e depois vêm pregar ética em seu perfil quando questionado.

Este tipo de conduta de certos jornalistas é recorrente nas redes sociais. Muitos ficam com raiva e literalmente nervosos porque são questionados de forma mais direta, ou porque são criticados por questões clubísticas (escrevem com a camisa do time do coração por baixo e se esquecem de que devem ser imparciais), ou mesmo por imposição de seus editores para serem pró este ou aquele.

Claro que não são todos. Em toda profissão existem os bons e os maus profissionais. Mas o número de maus profissionais, principalmente ligados ao jornalismo atuando nas redes sociais, vem aumentando bastante.

Estes que tem esta lamentável conduta, antes de tudo devem saber que são pessoas públicas, que suas convicções formam opinião e que ao praticar a informação representam a empresa na qual trabalham. Se estes forem autônomos é pior, pois queimam a própria imagem. Muitos criam personagens, mas mesmo assim devem ter um pouco mais de tato ao lidar com os internautas.

Muitos destes jornalistas não se dão conta que às vezes são agredidos verbalmente nas redes sociais, não por falta de educação do internauta e sim por este internauta se espelhar justamente na conduta que o jornalista tem nas redes sociais.

Sempre vão existir pessoas que são mais agressivas em determinadas mensagens e em outras totalmente polidas. O que deve ser feito é tratar todos de forma igual. Argumentar com ideias e não com xingamentos ou falta de educação.

Outro exemplo que posso citar, foi quando o dono de uma das maiores emissoras de rádio do país, disse em seu programa das 18h que:

“..as redes sociais prestam um desserviço ao futebol de Minas Gerais.”

Soa no mínimo muito incoerente já que vários de seus contratados são mestres em dar notícias nas redes sociais se gabando de “serem vidraça do jornalismo pelo status que ocupam”, de mandar torcedor “sentar no colo do capeta”, dizer que “Riquelme é melhor que Messi”, entre outras barbaridades. Ele não vê que da mesma forma que o internauta, eles por terem esta conduta em determinados momentos, também praticam um desserviço e pior, mancham a imagem da empresa na qual ele é o dono.

Se as redes sociais para ele são tão prejudiciais, acho que o mínimo que ele deveria fazer é tomar conhecimento da forma que seus funcionários usam esta ferramenta e repreendê-los, mandarem rever seus conceitos de ética para praticar o bom jornalismo o qual ele preza tanto. Se são tão ruins ele também deveria tirar sua rádio destas redes e assim fechar um dos principais canais de comunicação dele com seu público.

Isso mostra um total despreparo e falta de conhecimento de uma das ferramentas que mais agregam audiência e engajamento a vários veículos de comunicação.

Vamos abrir este debate. O que vocês acham? Jornalistas sabem usar as redes sociais?

Grande abraço a todos.

*Mericks é publicitário e trabalha como analista de redes sociais

Anúncios

Sobre palpitandoocotidiano

Sou jornalista, com pós em empreendedorismo e marketing.
Esse post foi publicado em Convidados do blog, Tecnologia. Bookmark o link permanente.

3 respostas para Jornalistas e as redes sociais. Será que eles sabem usar esta ferramenta?

  1. Rodolfo disse:

    As redes sociais estão deixando muitos jornalistas preguiçosos. Tem cara que não sai da redação por nada, quer resolver tudo pela internet. Claro que usar a tecnologia como ferramenta de trabalho é uma boa, mas como você disse no texto, tem que saber usar. As redes sociais trouxeram também, o torcedor sabe tudo. O cara que fala que é amigo de conselheiro e diretor de clube e que fica dando notícias infundadas o tempo todo. Esse mesmo torcedor é o que reclama que a imprensa especula demais, sendo que ele faz o mesmo. Em todas as profissões existem os bons e os ruins, cabe ao leitor ou telespectador saber filtrar o que consome.

  2. xkuei disse:

    O jornalismo de modo geral não entendeu muito bem o conceito de mídias sociais. Alguns jornais tem contas no twitter que não levam em conta fatores como personalização e repúdio do internauta ao flood (postagens muito frequentes). Personalização no sentido de oferecer contas de editorias e não do jornal inteiro apenas – afinal, quem lê o jornal inteiro?
    Sobre as contas pessoais-profissionais, muita gente realmente confunde as coisas, mais pelo despreparo mesmo. Não é exatamente uma desculpa boa pois são raríssimos os treinamentos em mídias sociais. O usuário tem que entender, mesmo sem treinamento, que sua informação nas mídias sociais tem o mesmo impacto do que nas mídias tradicionais. Dependendo do “furo” um impacto até mais imediato e duradouro (um amigo dá RT num certo post sobre Ronaldo e Seedorf até hoje).

  3. Concordo demais com vc! Eu acho que o jornalista deve tomar mto cuidado com o que escreve! Belo texto Mericks! Parabéns.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s