O álbum da alma

Por Rodolfo Rodrigues

Rubber+Soul

Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra, mas se tem uma banda que podemos dizer que chega bem perto da unanimidade e bem longe da burrice são os Beatles.

Gosto de todos os discos do grupo, mas um em especial é marcante para mim. Hoje vou falar um pouco sobre “Rubber Soul”, de 1965, o álbum que abriu a nova fase dos Beatles.

Nesta época eles estavam consolidados como grandes astros da música mundial, com isso conseguiram a liberdade de criarem e inovarem. A partir deste disco, os não tão mais garotos de Liverpool emergiam como antenados na revolução musical e comportamental da segunda metade dos anos 60, ganhando o respeito com um trabalho mais maduro. As tão faladas revoluções técnicas, que apareceriam com maior clareza nos dois discos posteriores, como “Revolver” (66) e “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (67) tiveram em “Rubber Soul” o seu laboratório sonoro.

Uma curiosidade é a origem do nome do disco. O título foi retirado de um comentário de Muddy Waters, grande ícone do Blues, após assistir a um show dos Rolling Stones, ele disse: “Esses caras são bons, mas é soul de borracha”. George Harrison uma vez declarou que “Rubber Soul” era seu disco predileto da banda.

O disco possui 14 músicas que vão de baladas românticas, folk e psicodélica. A primeira música é “Drive my car”, que começa com um arranjo muito bacana de guitarra, com John e Paul cantando juntos bem ao estilo rock ‘n roll. Destaque para o piano de Paul e o refrão contagiante.

A segunda canção é “Norwegian Wood” e traz a cítara (instrumento indiano) ao rock, temperando com um psicodelismo uma das melhores faixas do disco. O álbum segue com “You Won’t See Me”, uma música calma com Paul usando um vocal suave juntamente com seu piano.

Outras canções deste álbum que merecem destaque são “Think For Yourself”, onde George canta. Outra boa canção do álbum é “Michelle”, em que percebe-se a crescente inspiração de Paul para composição de belas melodias. Um dos solos mais legais de George pode ser ouvido nesta música.

Já a música “Girl”, é uma balada romântica que possui um dedilhado marcante de violão.

Outra música que eu gostaria de destacar, para terminar, é “In My Life”, que na minha opinião é uma das mais belas músicas de toda a carreira dos Beatles, tanto na melodia que possui um piano que chega a fazer quem está escutando se emocionar, quanto na belíssima letra composta por Lennon.

Enfim, “Rubber Soul” é um disco para todos os momentos. É difícil escolher um álbum preferido da banda, mas arrisco a dizer que este é o meu predileto dos Beatles.

 

*Texto publicado em 30/05/2010, na coluna Mirante, que era feita por mim e pela jornalista Andressa Moreira, no jornal Vale do Aço.

 

Anúncios

Sobre palpitandoocotidiano

Sou jornalista, com pós em empreendedorismo e marketing.
Esse post foi publicado em Memória. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s