Futebol para o povo

Por Rodolfo Rodrigues

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É inegável que teremos belíssimos estádios no Brasil graças às obras para a Copa do Mundo. Tá certo que alguns serão elefantes brancos, já que não há futebol decente em todas as praças que serão sedes da Copa e também muito dinheiro público foi gasto de maneira exorbitante. Mas será que o povão que sempre curtiu partidas nos estádios terá vez? Será que teremos belas festas e disputa de cânticos entre as torcidas nos grandes clássicos?

Puxando para o nosso lado, em Minas Gerais, muito disse me disse vem tomando conta dos noticiários esportivos e das rodas de conversa. Ingressos com preços elevados, proibição de camisa de time na reabertura do estádio, que nem teve uma partida e sim show musical e discurso político. O primeiro jogo será somente no dia 3 de fevereiro.

Exagerando e levando na brincadeira, daqui uns dias para entrar no Gigante da Pampulha será preciso camisa gola polo e sapatênis (nada contra quem usa, também uso) e vão trocar o famoso tropeiro por caviar. Não podemos esquecer que proibiram venda de cerveja no Brasil (na Copa é liberado, já que um grande patrocinador da FIFA é uma marca de cerveja), e em vários momentos proibiram bandeiras. A sensação que tenho é que querem afastar as pessoas do estádio. Campo vazio é sinal de menos trabalho para todos.

É fato que os ingressos do Mineirão irão subir o preço e que o conforto do torcedor vai ser maior. A empresa parceira do governo que irá comandar o estádio visa o lucro, e com toda razão, já que investiu na reforma. Sem contar os clubes, que precisam aumentar suas receitas, já que o futebol esta cada dia mais caro. Além dos valores dos ingressos, existe outra discussão, já há uma corrente que insiste em manter o grande clássico mineiro com apenas uma torcida.

Vamos por partes. Em primeiro lugar, concordo que o ingresso precisa ser mais caro do que era, mas acredito que os valores devem ser estipulados de acordo com cada partida, caso contrário o estádio ficará as moscas em vários momentos. Também acho que poderiam estudar um “setor popular”, um lugar com o preço mais acessível para que todos os amantes do futebol possam acompanhar os jogos. O pior é que tem gente preconceituosa que fala que tem que ser caro mesmo, sem discussão, pra evitar confusão, como se só pobre arrumasse briga.

Sobre o problema das torcidas, confesso que não consigo entender tanta confusão em Minas Gerais. Em todos os lugares do mundo os jogos são disputados com duas torcidas, sendo que o visitante recebe 10% da carga total de ingressos. Porque aqui não pode seguir o mesmo caminho?

Espero que as autoridades repensem muitas coisas e possam colocar o bom senso a frente das decisões. O futebol é do povo, o estádio é o lugar onde o pai leva o filho, onde amigos se reúnem, onde a paixão pelo clube se torna ainda maior, mas se as coisas seguirem o caminho que se desenha, isso vai mudar e a televisão se tornará o local preferido para acompanhar uma boa partida.

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Sobre palpitandoocotidiano

Sou jornalista, com pós em empreendedorismo e marketing.
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