Filosofia de trabalho, coerência e perfil

Por Rodolfo Rodrigues

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Depois que todo mundo já escreveu, falou e ouviu sobre o belo trabalho de Tite e a conquista do Corinthians, fica difícil dizer algo novo sobre o tema. Mesmo assim me atrevo a comentar mais um pouco, não de tática, jogadores e o que rolou em campo, mas sobre o trabalho da diretoria, que segurou o treinador depois de um fracasso, o que foi algo fundamental para o sucesso.

No Brasil, quando uma equipe sofre uma grande derrota, a primeira cabeça que rola é a do técnico. Bom ou ruim, certo ou errado, é o que acontece no nosso país. Em alguns casos, o treinador é sim o problema da equipe, mas ele nunca é o problema sozinho, infelizmente os próprios “cartolas” gostam de frisar que é mais fácil demitir um, do que 11. Além da indicação de jogadores e montagem de esquema tático, o treinador precisa cativar o elenco, fazer que os atletas entendam e cumpram o que é pedido. Resumindo, é preciso passar confiança e conhecimento para conseguir “dobrar” a boleirada.

Mas, para isso, qualquer treinador precisa do suporte da diretoria. Acreditar em uma filosofia e dar sequência ao trabalho, mesmo com alguns reveses: este é o segredo do sucesso. Impossível não citar o Corinthians, que saiu do vexame contra o Tolima para ser campeão de tudo. Mesmo com toda a pressão popular para demitir Tite, após a eliminação na primeira fase da Libertadores, em 2011, contra o fraco Tolima, a diretoria alvinegra se mostrou firme e acreditou na filosofia de trabalho e no perfil de seu treinador.

Falta isso nos nossos dirigentes. A coisa mais comum é ver um técnico ser demitido e o seu substituto ter uma característica totalmente diferente. Mandam um chamado retranqueiro embora e contratam um muito ofensivo, ou dispensam um “paizão” para contratar um linha dura, ou vice e versa. Os dirigentes não sabem o que querem. Mudam sem sentido, apenas para dar satisfação à torcida e à imprensa.

Antes de contratar um treinador e vários jogadores, é preciso saber o que querem para seus clubes. É papel dos dirigentes traçar um perfil desejado, para aí sim partir em busca do comandante e, consequentemente, dos jogadores. Se por acaso for trocar, que pelo menos busque alguém com o perfil parecido, já que teoricamente um planejamento foi traçado e o elenco foi formado em cima disso.

É óbvio que futebol não é receita de bolo, e que a teoria é muito mais fácil do que a prática, mas se houver um planejamento bem feito e foco nas ideias, a chance de dar certo é maior.

Não estou falando que o Corinthians é o melhor time do mundo, que seus dirigentes são exemplos em todos os sentidos e nem quero entrar no mérito se há ajuda externa ou não. O objetivo aqui não é este. Espero que o que aconteceu com o “Timão”, possa servir de exemplo para os demais. Um pouco de critério nas escolhas não faz mal para ninguém.

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Sobre palpitandoocotidiano

Sou jornalista, com pós em empreendedorismo e marketing.
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