Jornalista esportivo versus time do coração

Por Rodolfo Rodrigues

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É inegável que o futebol mexe com a paixão dos torcedores a ponto de deixar uma parte cega da realidade. Uma simples opinião contrária vira uma guerra sem fim. Para alguns, jornalista bom é aquele que fala o que o torcedor quer ouvir. Para muitos, a verdade dói. Talvez por isso vários membros da imprensa relutem em revelar o time do coração. A insegurança e o medo da violência podem ser os aspectos fundamentais para esconder aquele que o fez amar o esporte.

Todo jornalista esportivo tem um time do coração, caso contrário, o que o faria trabalhar tanto até tarde da noite, não ter finais de semana livre com a família, ser cobrado por torcedores, e etc, se não fosse o amor pelo esporte? Amor este que começa quando ainda é criança e vibra com seu time do coração.

Uma vez escutei o jornalista Paulo Vinícius Coelho (PVC) dizer uma frase que me marcou: “Eu não revelo o time que torço, a não ser que me perguntem”. Não precisa ficar gritando aos quatro cantos que é torcedor do time A ou B, mas também não precisa mentir. Se não quiser revelar tem todo o direito, mas acho errado quando o cara diz que não tem time. Na minha visão, se não tem time, ele está trabalhando na área errada.

Deixo claro que tudo que falo é minha opinião, não sou dono da verdade e não tenho a pretensão de tentar ensinar nada a ninguém. Tem muito jornalista que todo mundo sabe para quem ele torce que é mais ético e correto do que alguns que escondem e fingem ser os defensores de todos os clubes e torcidas.

O importante não é o jornalista ser torcedor de A ou B, ou revelar para quem ele torce. O fundamental é ele trabalhar com ética, honestidade, coerência e responsabilidade. A informação bem apurada sempre precisa vir em primeiro lugar.

Por outro lado, o torcedor precisa entender que os veículos de comunicação não irão trazer apenas notícias boas de seus clubes, até porque, ninguém e nada vive apenas de coisas boas. Antes de acusar alguém de plantar uma crise, imaginando ou insinuando que quem fez a matéria torce pelo rival, é preciso analisar os fatos, os contextos e as informações reveladas na reportagem.

É bom lembrar como os clubes de futebol, em grande parte, são geridos no Brasil. Infelizmente, alguns veículos ou profissionais, em alguns momentos, são manipulados pelos dirigentes, alguns sabendo e aceitando, outros na inocência. Os cartolas especulam nomes para saber a reação do torcedor, espalham ou até inventam notícias ruins de alguns atletas para ter motivo de dispensá-los, e por aí vai. E em muitos casos, o repórter é obrigado pelo veículo a fazer algo que não concorda, mas a necessidade de se manter no emprego o faz passar por cima de algumas questões que ele acredita.

É utopia imaginar que vamos ter uma imprensa 100% independente, mas se cada um de nós que fazemos parte dela tentarmos agir da melhor maneira possível, não deixando nunca o coração de torcedor prevalecer sobre a razão, e buscar sempre a ética, já é um bom começo para as coisas melhorarem.

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Sobre palpitandoocotidiano

Sou jornalista, com pós em empreendedorismo e marketing.
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2 respostas para Jornalista esportivo versus time do coração

  1. Diego Dunga disse:

    Falou tudo!

  2. franciney disse:

    Muito bom!

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