A banalização de certas palavras (ou conceitos)

Por Rodolfo Rodrigues

idolos2

Dia desses, postei no twitter a seguinte opinião: Chamar Tardelli e Montillo de ídolos de Atlético e Cruzeiro é no mínimo ofender Reinaldo e Tostão, por exemplo. Banalizaram a palavra.

Pensei que choveriam torcedores me xingando e questionando a opinião, mas pelo contrário, ninguém reclamou e muitos concordaram. Talvez meus seguidores não façam parte da novíssima geração que elege seu ídolo e mito numa facilidade e rapidez imensa, vai saber.

Depois desta postagem voltei a pensar em algo que sempre recorre a minha mente. Hoje qualquer feito banal, ou qualquer aparição na mídia faz as pessoas se tornarem ídolos, mitos, celebridades e até heróis, vide Pedro Bial que não cansa de dizer que os confinados do BBB são verdadeiros heróis e heroínas, uma afronta ao povo brasileiro que precisa sofrer com o transporte público diariamente para trabalhar e receber muitas vezes, um salário de fome, isso pra não prolongar e citar outras coisas.

Se um jogador faz dois ou três gols se torna ídolo para alguns, se uma nova mulher fruta surge em alguma foto de paparazzi, já se torna a nova musa brasileira. Se alguém faz um vídeo e o mesmo vira hit na internet, logo a pessoa se torna celebridade e invade os programas de TV. Os Titãs fizeram uma canção com o nome: A melhor banda de todos os tempos da última semana. A música passa um pouco por este tema. O mundo anda muito volátil.

Talvez o avanço da tecnologia, a rapidez da informação, a facilidade de conhecer o que é novo possam influenciar as pessoas. Gostar e desgostar de pessoas, assuntos e coisas em dias (ou horas) se tornou algo comum. Melhor não entrar muito nesta questão, já que foge do meu conhecimento. Não sou psicólogo e não pretendo me intrometer em uma área que não é minha.

O Brasil é um país carente de ídolos. No esporte olímpico, por exemplo, temos poucos atletas que podem levar esta alcunha. Já no futebol a história muda, os clubes possuem grandes nomes que fizeram histórias dentro e fora de campo.

Saindo do mundo esportivo, a lista de verdadeiros heróis e ídolos é ainda menor. Com um rápido exercício de memória posso citar alguns: Tiradentes, Zumbi, Chico Mendes. Claro que se pesquisarmos vamos achar outros, mas o número não é grande, talvez este também seja um dos motivos que levam à esta necessidade de idolatrar alguém.

Não sei se ajudei a promover uma reflexão sobre o tema, longe de mim querer ser pretencioso, talvez eu tenha é confundido ainda mais. Tentei abordar um pouco o rumo estranho, que a meu ver, algumas coisas estão tomando. É preciso valorizar a história, o talento e as coisas boas feitas pelos verdadeiros ídolos, heróis e mitos.

Óbvio que não se pode fechar os olhos e ouvidos para as novidades. A pessoa pode ser ótima, excelente em algum setor que atua, mas não necessariamente precisa ser um ícone ou ídolo. Há espaço para todos que mostram talentos, sem comparações, sem neuras e sem exagero nas avaliações.

Anúncios

Sobre palpitandoocotidiano

Sou jornalista, com pós em empreendedorismo e marketing.
Esse post foi publicado em Reflexão. Bookmark o link permanente.

4 respostas para A banalização de certas palavras (ou conceitos)

  1. Estava falando sobre essa necessidade do brasileiro de ter heróis e anti-heróis agora a pouco com o outro advogado aqui do escritório. Criou-se a ideia de que o Joaquim Barbosa é o maior heroi brasileiro e que o Ricardo Lewandowski é o cara mau.

    O brasileiro tem a extrema necessidade de encontrar ídolos/herois e os seus repectivos vilões. Sempre foi assim, vide Brasil/Argentina, Senna/Prost e talz…

  2. Vinicius Ferreira disse:

    Cara, bacana o texto. Tem uma diferença marcantes do que é ídolo hoje e do que era ídolo nos tempos antigos, rs. Na época de Zico, Pelé, Tostão, etc, os ídolos eram inspirações, claro, em relação ao futebol. Entrevistei um senhor de 75 anos que falou dos jogadores que inspiravam ele no passado, Garrincha, Didi, Nílton Santos. Estes jogadores fizeram ele torcer para o Botafogo, fizeram ele querer assistir os jogos do Botafogo, e, em uma época diferente, onde futebol envolvia diretamente paixão, muito mais do que hoje, ele queria jogar como eles. Era um modelo, em alguns casos, saudável, em outros, não. A mudança do conceito de ídolo vem junto com a mudança do conceito de futebol. Hoje, futebol é negócio, cifra, dim dim, euros e dólares. Por isso, a ideia de se ter um jogador diferenciado é trabalhada, principalmente, de forma comercial. Segurar o Neymar não é para trazer torcida para o Santos, não é para mostrar crescimento do futebol brasileiro, e sim para aumentar a receita do clube. O título é o foco porque ele ajuda a transformar jogadores em ídolos. Por isso a série de ídolos que surgem com um jogo. O grande exemplo do que eu afirmo se chama Obina. Lembra dele no Flamengo? O Rubro Negro precisava de um ídolo, a torcida precisava de alguém para gritar o nome, e o Flamengo elegeu o Obina este homem, que foi considerado até ‘melhor do que Eto’o’. Mas ninguém queria jogar como o Obina. A fama dele no Flamengo foi para Palmeiras, Atlético, rendeu milhares de yuans e o status de ídolo chinês, que foi posto em cheque no retorno dele ao Palmeiras. Um ídolo produzido, para saciar uma torcida, para vender. Os ídolos de hoje são assim, claro, como no passado, existem exceções, mas na maioria, feitos para vender camisas e não atrair torcedores, nem inspirar os novos jogadores…

  3. Mário Lúcio disse:

    Bacana o texto. Realmente é bom para se pensar.
    Mas tem um cidadão brasileiro que pra mim foi um grande ídolo… Ayrton Senna. Um brasileiro com orgulho.

  4. Também acho que a produção de ídolos instantânea é desrespeitosa a quem de fato é ídolo neste país. Mas acredito que pior que isso é a mania de maniqueísmo do brasileiro. Pra ter o mocinho tem que ter o vilão, como você disse. E isso é um erro total. Somos humanos e todos erram e acertam. Escolher um judas e bater nele não acaba com os problemas de todos. Acho que isso só serve pra centrar o problema. “Xinguem o vilão, e esqueçam o problema real.”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s