Um breve balanço de Atlético e Cruzeiro

Por Rodolfo Rodrigues

Final de temporada do futebol brasileiro saem de campo os atletas e entram os empresários, plantando mil e uma notícias na mídia. Mas não pretendo falar sobre isso. Se puder dar um conselho aos torcedores seria: não se preocupem e não acreditem em tudo que ouvir, vir ou ler neste período de entressafra do futebol. A ideia deste texto é fazer um sucinto balanço de Cruzeiro e Atlético no ano de 2012. Tentar falar um pouco sobre os erros e acertos das duas equipes.

Por ondem alfabética, vamos começar pelo Atlético, que no primeiro semestre conquistou o Campeonato Mineiro e foi eliminado pelo Goiás (atual campeão da série B), na Copa do Brasil. Depois disso, a equipe se reforçou com Ronaldinho Gaúcho e o time encaixou. O clube fez um belo primeiro turno no Campeonato Brasileiro e parecia rumar ao título, mas a falta de um centroavante confiável e a preocupação excessiva com a arbitragem a meu ver, atrapalharam e muito a equipe alvinegra. Comissão técnica, jogadores, diretoria e torcedores caíram na ideia de armações a favor do Fluminense. É chover no molhado falar que foram cometidos erros pró Flu e erros pró Atlético, assim como tivemos para todas as equipes, mas parto da premissa de que sem provas não devemos acusar ninguém, mesmo sabendo que no futebol brasileiro (e no mundial) não há flor que se cheire. Acho que por alguns momentos a torcida atleticana deixou de curtir o melhor time formado pelo clube nos últimos anos para se preocupar com o extracampo, e isso atrapalhou um pouco. No frigir dos ovos, o Atlético quase perdeu o segundo lugar que dá uma vaga direta na fase de grupos da Libertadores da América. O time ficou preocupado demais com o Fluminense e esqueceu-se do Grêmio que vinha logo atrás e quase roubou o vice-campeonato. O terceiro lugar faria o alvinegro disputar a primeira fase da Libertadores, que alguns erroneamente chamam de pré-Libertadores. Mas a vitória no clássico contra o Cruzeiro e o empate do Grêmio diante do Internacional, colocou o alvinegro de volta na segunda posição e, consequentemente, na fase de grupos da maior competição das Américas.

No geral a campanha atleticana foi boa, a melhor do clube na era dos pontos corridos. No ano passado o clube se livrou do rebaixamento na penúltima rodada da competição e conseguiu se reestruturar. Para o próximo ano algumas contratações pontuais e a manutenção de jogadores importantes (principalmente Bernard, grande jogador que possui várias propostas) podem fazer a equipe render ainda mais. Os pontos positivos foram a renovação de contrato do técnico Cuca, para manter a sequência, e é claro, a confirmação da permanência de Ronaldinho Gaúcho.

Já o Cruzeiro, teve um ano muito conturbado. O clube começou a temporada com um novo presidente e os erros começaram com a manutenção do diretor de futebol Dimas Fonseca e do técnico Vagner Mancini. Vários jogadores de qualidade duvidosa foram contratados e o clube perdeu praticamente seis meses do ano. No Estadual, não chegou sequer à final e foi eliminado precocemente na Copa do Brasil, as duas eliminações por equipes da segunda divisão: América e Atlético/PR (que está de volta a série A). O presidente Gilvan promoveu mudanças, e colocou Alexandre Mattos como diretor de futebol, Celso Roth foi contratado como treinador. A coisa não andou, houve várias declarações desencontradas de diretoria e treinador, jogadores que já mostraram grande potencial pararam de render e a torcida, que em certa altura do campeonato chegou a sonhar com o G4, viu o time fazer uma campanha mediana, mas sem passar verdadeiro susto de rebaixamento. No final, depois de espantar matematicamente o “fantasma” da segunda divisão, a equipe se soltou e mostrou um “bom” futebol. Se houve ponto positivo na temporada, a meu ver foram às contratações de Ceará, Borges e Martinuccio, os dois primeiros com uma pré-temporada bem feita, deverão render bem no próximo ano. Os jovens Élber, Lucas Silva e Alisson, revelados nas categorias de base, merecem mais oportunidades.

O primeiro anúncio para 2013 foi a contratação do bom Diego Souza, jogador técnico e de bom toque de bola, o que sempre foi a característica do Cruzeiro. É possível imaginar um quarteto com Montillo, Diego Souza, Martinuccio e Borges, sem dúvida alguma um ataque de respeito. A diretoria precisa pensar em reforçar a defesa que se mostrou muito fraca.

Marcelo Oliveira será o treinador. Na minha visão é uma aposta, ainda não mostrou nada no cenário nacional, além disso, terá uma forte rejeição da torcida por seu passado ligado ao grande rival. Acho isso uma bobagem, Marcelo é profissional e quer vencer na carreira. Se ele mostra algo de positivo é a coragem (ou seria loucura?) para assumir o Cruzeiro, mesmo sabendo que a rejeição é gigante. Vale lembrar que sua estreia oficial será no grande clássico mineiro, que marca a reabertura do Mineirão. Com uma vitória, ou até mesmo um empate, ele terá paz para trabalhar, mas em caso de derrota…

Anúncios

Sobre palpitandoocotidiano

Sou jornalista, com pós em empreendedorismo e marketing.
Esse post foi publicado em Esporte. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s