Adeus Tigre

tigre_tchauPor Rodolfo Rodrigues

Já é público e notório que o Ipatinga Futebol Clube chegou ao fim. A equipe irá se transferir para Betim e adotará o nome da cidade. Apesar de ser um critico ferrenho do clube nos últimos anos, a notícia de certo modo gera um pouco de tristeza, já que sou nascido e criado na cidade e acompanhei a equipe desde a sua fundação, primeiro como espectador e depois por cerca de três anos, como setorista da equipe, trabalhando no Jornal Vale do Aço.

Lembro-me como se fosse hoje, nos idos de 1998, ano da fundação do Tigre, quando eu ia ao Ipatingão com meu pai assistir os jogos da equipe pela “Terceirona” mineira. O time comandado pelo técnico Wantuil Rodrigues que em 2000, com rápida ascensão, chegou à elite estadual, por onde foi campeão do interior algumas vezes até chegar ao título mineiro de 2005. Também foi bicampeão da Taça Minas Gerais.

A equipe teve grande projeção nacional, com belas campanhas na Copa do Brasil (chegou a ser semifinalista), e a participação na Série A do Brasileirão.

O rápido crescimento do Ipatinga se deve e muito a uma antiga parceria do clube com o Cruzeiro, que bancava a folha salarial. Mas depois o encanto acabou, a parceria foi desfeita, o dinheiro sumiu e o Ipatinga caiu bruscamente.

Na maior parte de sua pequena história, o Ipatinga jogou para públicos reduzidos (exceto grandes partidas), sua torcida na maioria era formada por aposentados e crianças. Não é fácil criar torcedores da noite para o dia, muitas pessoas assistiam aos jogos apenas pelo fato do time levar o nome da cidade, mas em vez de ajudar a chamar o público, os dirigentes criaram uma enorme antipatia com declarações mais do que infelizes, ao dizer, por exemplo, que não precisa de cruzeirense ou atleticano torcendo pelo clube.

O clube se acostumara com a ajuda financeira do Cruzeiro que não existia mais e precisou de apoio do poder público municipal. Claro, em boa parte da história, a Usiminas também patrocinou a equipe. Quem me conhece sabe que sou contra prefeituras colocarem dinheiro em futebol profissional, acho que os prefeitos precisam investir no esporte para a criançada e no esporte amador. A prefeitura, diferente de um banco, por exemplo, não precisa de mídia, de divulgar sua marca patrocinando um clube, quem precisa de mídia é o prefeito.

O motivo da mudança do clube, segundo dirigentes, é a falta de apoio financeiro. Em algumas entrevistas, o presidente do clube disse que precisa de no mínimo R$ 500 mil por mês para “tocar” o Ipatinga. A prefeitura cortou o apoio, a Usiminas também. Teoricamente os patrocinadores de uniforme não pagam um valor que dê para “sustentar”, já que neste ano os salários sempre estiveram atrasados (informações dão conta de quatro meses) e o clube está cheio de processos na justiça trabalhista. A solução encontrada para tentar contornar o caos foi a venda da entidade.

Na cidade já foi divulgada a notícia da criação de um novo time profissional. Fico imaginando se alguém vai se arriscar a torcer para esta nova agremiação, com o receio de no futuro próximo acontecer o que aconteceu com o Tigre, assim como também me pergunto se o povo de Betim irá abraçar um clube que a qualquer momento, quando aparecer uma crise poderá novamente buscar novos ares.

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Sobre palpitandoocotidiano

Sou jornalista, com pós em empreendedorismo e marketing.
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